quarta-feira, outubro 20, 2010

Sigo em frente.

Dei uma trégua na minha briga com o relógio.
Sei que tudo o que perdi, perdi. Paciência.
Não adianta chorar sobre o leite derramado, ou
melhor, pelo momento perdido.
Estou preocupada agora com os ganhos.
Sei que eles virão. Na hora certa, no momento certo.
Quero saboreá-los como fruta fresca da estação.
Muitas vezes perco o equílibrio.
Um zum zum zum na minha cabeça.
Coisas mil pra fazer e o corpo nada quer fazer.
Cabeça povoada de coisas. Insônia. Fadiga. Stress.
Dias turbulentos, mas acreditando sempre que uma hora
a minha vida volta ao seu eixo e a vida continua.
Claro que continua. É como o barulhinho bom da chuva
que chega de repente na telha, quando você menos espera
numa tarde ensolarada. É canto solitário do sabiá que voa.
É beija-flor que vem a cada minuto se enebriar no néctar
do bebedouro. Tudo sempre chega. Tudo sempre vem.
Quero poder levar minha vida como numa poesia do Quintana,
em que a resposta sempre é certa e quando eu sei que Deus
olha por mim e acredita em mim.
Agora o que mais quero é uma semana sossegada.
Quero um pouco de trégua. Descansar o corpo cansado dessa caminhada.
Às vezes, quando bate uma tristeza, daquelas bem fundas
que sangram dentro do peito
a Lua vem e chega bem pertinho no quintal aqui de casa.
Vem fazer meu coração ficar leve.
Minha mãe diz: "Vai menina, levanta. Sacode a poeira
e vai." Daí eu pergunto pra onde? E ela bem simplória, mas muito
sábia - "Não sei, não. Só sei que é pra frente."

E eu vou tocando em frente.

Um comentário:

Drika Trevisan disse...

É... me sinto exatamente assim, no momento. Mas posso dizer... os ganhos demoram, mas chegam!