segunda-feira, junho 14, 2010

Ser feliz ou ter uma vida interessante?

E se eu lhe disser que estou com medo de ser feliz pra sempre?
[Divã]


Esse filme bateu fundo em mim e desde que eu ouvi essa frase da Mercedes (Lilia Cabral) em Divã ficava me perguntando se ser feliz pra sempre seria o meu ideal. Nem preciso dizer o nó na cabeça que essa frase me deu. Refletindo sobre minha situação atual, começo a acreditar que ser feliz 100% não é e nunca foi o meu objetivo. E não por coincidência, caiu no meu colo hoje à tarde uma matéria do psicanalista Contardo Calligaris que dizia "Ser feliz não é tão importante, mais vale ter uma vida interessante". Na matéria, ele parece rejeitar essa nossa busca insana ou despreocupada pelo tal kit da felicidade, que é o conjunto de realizações convencionais, o que me lembrou outra frase da Mercedes que diz “A gente nasce e morre, e entre uma coisa e outra estudamos, trabalhamos, casamos, temos filhos, adoecemos - ninguém escapa muito desse script”. Taí. Ter uma vida interessante é cair e levantar, é se movimentar e querer parar quando preciso, é encarar as mudanças, é encarar o erro como um caminho para buscar novas soluções, é ter coragem de tomar uma decisão e ter humildade para abandoná-la se não der certo. Uma vida interessante não é a falta da felicidade, mas sim apenas outro tipo dela. Ahhh... Bem distante daqueles deliciosos contos de fada que minha vozinha contava. Também nunca sonhei em um dia acordar princesa e nem adormecer Bela Adormecida em lençóis de cetim. É muito mais prazeroso a gente se embriagar de uma satisfação íntima, quase vitoriosa por ter uma vida interessante. É esse outro lado da felicidade da qual eu faço parte. É o que nos torna menos Paris Hilton e mais mulheres de verdade, porque vamos combinar - felicidade demais vira futilidade. A vida perde o viço. Você pode até me chamar de louca, mas dificilmente mudarei de opinião a respeito disso. Até porque olhando por esse prisma eu sou feliz. Bem feliz.

Nenhum comentário: