segunda-feira, junho 28, 2010

Branco é pra quem pode.

O ortomolecular me recomendou uma tonelada de antioxidantes e um creme anti-sinais. Me entregou até o laudo médico, o que reforça ainda mais a "mensagem" de que eu estou realmente ficando velha. Mas o fato é que isso não me incomoda em nada. Como tudo cai um dia, temos que estar preparadas para esse episódio fatídico. Agora uma coisa que eu ainda não consigo engolir são os cabelos brancos. Admiro quem cultive seus algodõezinhos na cabeça, mas quando os meus chegarem vou pintá-los de roxinho. Ah, vou ficar um charme. Os homens não passam por essa neura. Os danados ficam um charme com seus cabelos grisalhos ou brancos. George Clooney e Richard Gere que o digam. Giorgio Armani parece um trintão, meu Deus! E eles não ficam nada bem de cabelos coloridos. Não é de dar inveja? Mas, inveja boa, por favor. Consegue imaginar o Steve Martin de cabelos pretos? Um terror, e posso dizer isso porque eu já o vi num filme assim. A tintura só cai bem para o homem do baú.


Agora, como tudo, existem as exceções e nesse caso tiro meu chapéu para a Meryl Streep, toda grisalha ao interpretar a Miranda-toda-poderosa em O Diabo veste Prada. E a Glória Menezes está linda também de branquinho. A Cássia Kiss parece que já nasceu assim. Dame Helen é um luxo de doer. Até com um balde na cabeça, ela ficaria um arraso, então não sei se ela serve como exemplo. As grisalhas têm o poder, não vamos negar. Ao menos, essas que citei. Agora imagina eu, grisalha? Seria a própria indía velha. Ah, seria cometer o suicídio. Nossa... Talvez quando meus primeiros tufos de algodão aparecerem, eu crie coragem ou tenha alguma atitude, essa mesma que cai tão bem pra essas poderosas que citei e não ficarei escrava de uma caixinha de tintura, tendo aquela neura de cobrir os fios brancos que insistem em se multiplicar. Cabelo branco pode ser chique, autêntico e libertador, mas infelizmente ainda a maior parte do planeta continua vetando, acha que é sinônimo do desleixo, da preguiça ou o que é pior, da velhice.
Li um artigo que citava uma escritora chamada Anne Kreamer, que escreveu Meus Cabelos Estão Ficando Brancos. Ela é espécie de defensora das sem-tintura e ela conta que logo que parou de tingir as madeiras, sentiu-se mais velha, mas depois descobriu que as únicas pessoas que nós enganamos quando pintamos o cabelo somos nós mesmas. Acho que o cabelo branco não envolve só deixar de frequentar o salão de beleza. A coisa é mais profunda. É algo emocional, mesmo. Você precisa estar bem consigo mesma, precisa estar no peso adequado, a pele tem que estar bem cuidada, a conta bancária tem que estar satisfatória, as unhas esmaltadas. É um pacote de bem-estar. Você precisa estar bem resolvida, com a auto-estima lá no céu e pouco se importar com o que a sua vizinha acha de você. Daí o branco quando vier, vai ser bem recebido. Olha, a minha definição pra tudo isso é que enquanto for bonito no cabelo dos outros, eu estarei feliz com a minha morenice natural. No dia que meus brancos aparecerem, vou pensar sobre isso. Por enquanto, estou bem com meu pretinho básico.


[Dame Helen. Imaginou ela com um balde na cabeça? Seria charmosérrima, ainda]

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