segunda-feira, junho 21, 2010

Vaaaaai, Brasiiiiill!!!!

Em tempos de Copa todos se mobilizam. Tudo torna-se maravilhoso. As pessoas ficam mais sorridentes e unidas, um bando de ararinhas sobrevoam enlouquecidas pelas ruas fazendo balburdia, beberrões urram nos bares, pipocas estourando nas panelas, cervejas trincando na pia, a padaria vende pão verde-amarelo, cornetas ficam à postos, todos na torcida, com esperança e amor. Amor pelo futebol. Amor pela bandeira. Amor pelo Brasil. Apesar de não ser fã do esporte, eu colaboro com a decoração, engrosso o estoque de cornetas pra Nina, preparo a pipoca da galerinha aqui de casa, mas ainda mesmo assim fica difícil acreditar nesse país e torcer por ele, sabendo da sua impunidade, corrupção e injustiça. Difícil festejar pela metade. Se eu gosto, gosto 100%. Se eu torço, sofro 100%. E de alguns anos pra cá estou bem descontente com esse país. Mas acredito sim que uma hora a bola vai entrar. Daí esses impunes soltos por aí terão que admitir a derrota e saírem de campo. Mas, até que isso aconteça, esbanjam por aí a sorte que têm.
Quando vejo os meninos jogando pelo Brasil, até me vem uma pontinha de esperança. Esperança de acreditar que tudo poderá mudar. Esperança de que o gol uma hora vai entrar. Acredito no Brasil de lutadores, trabalhadores sérios, sobreviventes em meio aos tantos problemas, gente de garra. Uma hora o gol vai entrar e nos tirar dessa depressão, dessa zona de desconforto e fazer a roda da fortuna girar rápido. Quero poder ganhar o meu dinheiro nada mais que merecido, quero me aproximar mais vezes da felicidade. Quero poder acreditar novamente nas pessoas. Quero tomar tudo que me é direito e que me foi tirado da forma mais covarde possível. Quero voltar a ter a cuca fresca e leve o suficiente pra ter o prazer de comprar entradas para um show, jantar fora, dar risada, e porque não tomar um bom vinho, visitar amigos, simplesmente quero poder me divertir novamente.
Mas a bola vai entrar mais vezes em campo e até lá espero torcer por um Brasil mais plural (do bem), que é o meu ideal de Brasil. Um Brasil de pessoas que perdem tempo ajudando as outras pessoas e não as prejudicando, não tomando o seu dinheiro ou sua vida confortável.
O jogo está estafante, nervoso e não precisava ser. O gol que eu quero é o de aprender a ter um dia mais calmo, mais focado nos meus reais prazeres e afetos, sem estresse, sem preocupações, sem aquela neura de me ver impotente diante de tanta barbaridade. O apito avisa o segundo tempo e eu fico aqui só torcendo por um único gol apenas. E depois, serei a primeira a correr pro abraço da felicidade e acreditar novamente nesse país.

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