
Sexta-feira chegando sem pedir licença, atropelando de novo.
Não curti a Terça, nem a Nina, nem a Quarta, nem a Quinta e ooops... chegou a Sexta. Hoje quero ficar em slow motion. Literalmente. Hoje é dia da Cacilda sambar e aproveito pra tirar uma folga e deixá-la trabalhar sossegada ou ela me bota pra correr.
Pensando cá com meus botões e nesta noite linda e geladinha, eu queria ser uma velhinha bem velhinha e ter uma loja de coisas gostosas, incluindo chocolate (claro!), alguns incensos, cremes milagrosos, umas revistas e duas mesinhas de café em alguma esquina de Albaicín. Ela já existe nos meus sonhos. Da porta eu vejo crianças suadas e felizes correndo e a Nina logo atrás gritando para elas, me vejo também passando pelo arco da Elvira tomando sorvete de qualquer sabor com o maridão... aaah. O maridão não consegue entender como posso misturar chocolate com creme e ainda de quebra incenso... mas sonho é sonho e o sonho dos outros a gente não discute, se escuta...rs. Então, vamos lá - consegue imaginar as pessoas que ali entrarão? Pessoas do bem que querem presentear alguém ou a si próprio, passantes que param ali para jogar conversa fora, pessoas de sorrisos no rosto. Pessoas no mínimo interessantes. Estaria perto dessa beleza que me atrai (desde sempre) sem mesmo ter colocado as sapatilhas por lá. Descendente de húngaros e alemães, é a Espanha que me interessa. Talvez seja culpa da vizinha espanhola que tive desde a minha infância e que tocava todo santo dia Fernando, Chiquitita e outras tantas músicas em espanhol do ABBA; ou então os trocentos discos do Julio Iglesias que a minha irmã e a minha mãe colocavam no toca-discos. Minha avó vivia cantarolando boleros maravilhosos pra quem quer que ouvisse. É, acho que foi isso. Daí foi um pulo me apaixonar pela Andaluzia e suas castanholas, sua poeira vermelha, suas casas brancas, seus toureiros, suas tapas, suas cavernas... Desse sentimento bom nasceu o meu livro. Incompleto, mas eu preciso arrumar um tempo para terminá-lo. Já estou no capítulo 18, mas ainda incompleto, confesso. Mas também é difícil escrever sobre o lugar que você só conhece por outra pessoa ou por livros, mas... voltando - imagina só eu em Albaicín... aaah... esse ano, infelizmente não dá mais, mas 2010 que me aguarde. Albaicín seria um bom lugar para se morar. Imagina só fazer passeios nos finais de tarde pelo Alhambra... descansaria em um dos pátios do Tenerife, se duvidar teria alguns esbarrões com a Loreenna compondo alguma música, pararia num bar de tapas e ouviria algumas citações do García Márquez... sentiria o cheiro da lenha queimada e incensos nas ruas, almoços na Plaza de Toros, aprenderia a tocar castanholas, faria pequenas escapadelas por Toledo, compraria um bocado de jámon, em Sevilha sentaria debaixo de algum moinho e entenderia melhor o amor lindo e incompreendido do Quixote de Cervantes. Eu topo até o calor. A impressão que me dá é que ali eu não correria o risco de me machucar e então seria apenas a velhinha da lojinha de coisas gostosas.
P-E-R-F-E-C-T-O!
[um dia... se lá fico ou não, deixo por conta do destino]
Nenhum comentário:
Postar um comentário