segunda-feira, novembro 28, 2005

À procura da Terra do Nunca


Terra do Nunca vale a pena ser visto e tem tudo para virar um clássico do estilo que arranca lágrimas do público.

A história se passa no começo do século 19, onde James Barrie já é um dramaturgo respeitado, mas está muito estressado porque quer escrever uma peça grandiosa, muito melhor que as outras que já havia escrito antes. E não consegue. E é passeando pelo parque para espairecer um pouco, com o cão Porthos que conhece uma família de quatro garotos e sua mãe, a viúva Sylvia (Kate Winslet).

Sintonizando-se de imediato com as brincadeiras de fantasia dos meninos, Barrie monta um "show" para eles, fazendo de conta que Porthos é um urso. "Que absurdo!" comenta um dos garotos. "Ele é apenas um cachorro."

"Apenas!", responde Barrie, revoltado. "Essa é uma palavra terrível, capaz de apagar uma vela." Ele então começa a dançar com o "urso", e a cena vira um picadeiro de circo, com animais, palhaços e mímicos.

A imaginação infantil do escritor cria uma conexão imediata com os meninos órfãos. Barrie logo começa a passar a maior parte de seu tempo com a família, participando das brincadeiras dos meninos, observando-os e fazendo anotações.

Claro que ele acaba se desentendendo muitas vezes com sua mulher, que sente-se muito desconfortável e enciumada com a aproximação cada vez mais forte com a família da Sylvia. Esta adoece e seu quadro de saúde é bem grave.

À medida que Barrie vai absorvendo todos os elementos que lhe permitirão criar uma peça de teatro mágica, o roteiro vai trazendo devagar os momentos que virariam ícones, tais como um sininho e um despertador que faz tique-taque. O filme possui uma doçura que em nenhum momento se torna exagerada.

"Meninos pequenos não deveriam ir para a cama nunca", diz Barrie. "Quando acordam, estão um dia mais velhos, e, antes que você se dê conta do que aconteceu, já viraram gente grande."

Johnny Depp mais uma vez prende a atenção. E é com muita destreza e competência de um grande ator como ele é.

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